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Nadar com golfinhos em Tamarin: a nossa experiência e conselhos

Nadar com golfinhos em Tamarin: a nossa experiência e conselhos

Atualizado em: março de 2024

A costa oeste e os seus golfinhos

A baía de Tamarin, na costa oeste das Ilhas Maurícias, é um dos raros lugares do mundo onde golfinhos-rotadores (Stenella longirostris) frequentam regularmente as águas costeiras. Estes cetáceos vivem em grupos numerosos — por vezes várias centenas de indivíduos — e fizeram da baía de Tamarin um dos seus locais de descanso e socialização preferidos.

A experiência de nadar com golfinhos selvagens desenvolveu-se progressivamente desde os anos 2000, ao ponto de se tornar uma das atividades mais populares da ilha. E, como sempre que a popularidade turística dispara, surgem questões sobre o impacto ambiental e a qualidade dos operadores.

Vou contar-vos honestamente o que vivi, o que me deixou reticente e como escolher um operador responsável para viver esta experiência da melhor forma possível.

Em resumo
OndeBaía de Tamarin, costa oeste
PreçoCerca de 35 a 80 euros por pessoa, consoante o operador
Tempo necessárioUma manhã (cerca de 3h a 3h30, partida por volta das 6h30)
Como chegarDe carro desde Grand Baie (cerca de 45 min) ou Flic en Flac (cerca de 20 min); o nosso guia de aluguer de carro ajuda-o a organizar o trajeto
Melhor alturaTodo o ano, com um mar mais calmo de maio a dezembro

A nossa manhã com os golfinhos

Embarcámos às 6h30 da manhã no pequeno porto de Tamarin. O operador que tínhamos escolhido (uma pequena estrutura familiar com dois barcos, ao contrário dos grandes operadores de massas) tinha-nos pedido para estarmos lá ao nascer do sol.

A razão é simples: os golfinhos-rotadores são noturnos. Caçam de noite em águas profundas e regressam às águas costeiras pouco profundas da baía de Tamarin no início da manhã para descansar, socializar e cuidar das crias. É durante este período de descanso que se pode aproximar deles — e é também por isso que é crucial não os perturbar excessivamente.

A baía de Tamarin está protegida do vento e da ondulação pela barreira de coral, o que a torna um plano de água calmo — ideal para os golfinhos em repouso e para banhistas pouco habituados a ondas.

A procura dos golfinhos: o nosso guia perscrutava o horizonte com binóculos desde a proa do barco. Em menos de 20 minutos, detetou os sinais característicos de um grupo — gaivotas a mergulhar na zona (sinal de peixes à superfície) e alguns saltos discretos. O motor abrandou.

A aproximação: um operador responsável não se aproxima dos golfinhos diretamente e a alta velocidade. Corta-se o motor a cerca de cem metros do grupo e deixa-se que os golfinhos decidam se querem aproximar-se. No nosso caso, um grupo de cerca de vinte indivíduos veio ao nosso encontro — curiosos, como é frequente nesta espécie tão sociável.

A entrada na água: o nosso guia deixou-nos entrar na água discretamente — um a um, sem chapinhar nem agitação. Equipados com máscara, snorkel e barbatanas. Pus a cabeça debaixo de água.

O que primeiro me surpreendeu foi o som. Os golfinhos comunicam através de uma série de cliques e assobios audíveis debaixo de água a vários metros de distância. É um som estranho, quase musical, que parece vir de todo o lado ao mesmo tempo.

Depois vi-os. Uma dezena de silhuetas cinzentas a deslizar na água azul, a uma profundidade de 3 a 5 metros. Não se aproximavam ao ponto de tocar, mas mantinham-se a poucos metros, observando-nos — em ambos os sentidos da palavra. Uma cria jovem, acompanhada da mãe, fez um arco à minha volta. Dez segundos de uma intimidade selvagem que não vou esquecer tão cedo.

Quanto tempo dura a experiência?

A nossa saída durou cerca de 3h30 no total. Cerca de 2h no mar, com várias entradas na água consoante os encontros com os golfinhos. Regresso ao porto a meio da manhã.

Alguns operadores prolongam a saída com uma paragem para snorkeling num recife de coral. Se quiser aproveitar esta opção, o nosso guia de snorkeling e mergulho indica os melhores spots da costa oeste. É uma opção agradável se tiver tempo.

O barco regressa geralmente a Tamarin antes do meio-dia, o que lhe deixa a tarde livre para explorar a região, fazer surf ou simplesmente descansar na praia.

O que me preocupou: a questão ética

Devo mencionar algo que observei nessa manhã e que merece reflexão.

Ao lado do nosso pequeno barco, vários barcos de maior dimensão — alguns com 20 ou 30 pessoas a bordo — perseguiam literalmente os mesmos grupos de golfinhos. Aproximação a alta velocidade, entrada em massa na água com boias para os nadadores menos experientes, agitação na água. Golfinhos que tinham vindo descansar eram assim assediados de forma repetida.

A investigação científica demonstrou que a perturbação repetida do descanso matinal dos golfinhos-rotadores de Tamarin tem consequências reais na sua saúde e reprodução. Alguns biólogos mauricianos defendem uma regulamentação mais rigorosa das excursões de golfinhos. O nosso guia de nadar com golfinhos aborda esta questão ética em detalhe e ajuda-o a escolher um operador responsável.

Esta realidade não significa que se deva banir a experiência — mas sim que se deve fazê-la com os operadores certos, seguindo princípios éticos claros.

Como escolher um operador responsável

As boas práticas que deve exigir do seu operador:

Um número limitado de pessoas por barco: acima de 8 a 10 pessoas, a experiência perde qualidade e o impacto nos golfinhos aumenta. Desconfie de ofertas com 15, 20 ou 30 pessoas.

Uma abordagem não intrusiva: o operador deve cortar o motor antes de se aproximar dos golfinhos e deixar os animais decidirem se querem aproximar-se ou não. Nunca um barco a avançar a direito para o grupo.

Sem contacto forçado: os golfinhos não devem ser perseguidos para ficarem perto dos banhistas. Se um grupo se afasta, respeita-se a sua decisão.

Um briefing claro sobre o comportamento no mar: um bom operador explica aos participantes como se devem comportar — sem movimentos bruscos, sem ruído, sem tentativas de tocar nos animais.

A certificação ou adesão a uma carta de boas práticas: alguns operadores são membros de associações de proteção dos golfinhos locais ou têm a certificação “dolphin watch responsible”. Pergunte sempre.

A baía de Tamarin para além dos golfinhos

Se estiver de passagem por Tamarin para esta experiência, aproveite para explorar a região. A baía é uma das mais bonitas da costa oeste — emoldurada por falésias, com um estuário onde por vezes passam flamingos durante o inverno austral.

A vila de Tamarin, por si só, merece um passeio. É uma mistura fascinante de famílias mauricianas de longa data e expatriados (australianos, sul-africanos, franceses) atraídos pelo surf. A onda de Tamarin é famosa — forma-se uma bela esquerda em certos dias, e surfistas internacionais fazem por vezes a viagem só por causa dela.

Cerca de dez quilómetros a sul, Le Morne Brabant é um dos locais mais espetaculares da ilha — praia magnífica, montanha tabular classificada pela UNESCO e lagoa de um azul intenso onde os praticantes de kitesurf evoluem o dia todo.

Para norte, a partir de Tamarin, Flic en Flac oferece os seus célebres pores do sol e restaurantes junto ao mar — um final de dia perfeito depois da manhã no mar.

Preços e reserva

Os preços das excursões de golfinhos em Tamarin variam consideravelmente consoante os operadores:

  • Pequenos operadores independentes responsáveis: 35 a 60 euros por pessoa
  • Grandes estruturas turísticas: 50 a 80 euros por pessoa (por vezes mais, com um serviço de menor qualidade ética)
  • Pacotes “excursão de golfinhos + catamarã + almoço”: 80 a 120 euros por pessoa. O nosso guia de passeios de catamarã complementa bem esta excursão.

Recomenda-se a reserva antecipada (24 a 48h), sobretudo em época alta. O seu hotel pode aconselhar operadores, mas tenha em conta que os hotéis por vezes recebem uma comissão e nem sempre escolhem com base em critérios éticos. Também pode reservar diretamente a excursão para nadar com golfinhos em Tamarin online antes da sua partida, para garantir o lugar. Pergunte diretamente aos operadores qual é a sua política de conduta responsável.

O que levar e como se preparar

Um fato de banho por baixo da roupa (a partida cedo deixa pouco tempo para mudar de roupa no barco), uma toalha, protetor solar resistente à água aplicado antes de sair (o sol do início da manhã já é forte), e se for propenso a enjoo, um comprimido tomado na véspera à noite em vez de na própria manhã — pode formar-se ondulação fora da lagoa protegida. Muitos operadores fornecem máscara, snorkel e barbatanas, mas se tiver o seu próprio equipamento e o preferir, traga-o: o conforto do material muda muito a experiência debaixo de água.

Preveja também um pequeno-almoço leve antes de embarcar, em vez de uma refeição pesada, e uma garrafa de água. A maioria dos barcos não tem casa de banho a bordo, por isso antecipe-se antes de partir. Uma máquina fotográfica estanque ou uma simples capa impermeável para smartphone permite-lhe guardar uma recordação, mas tenha em mente que a prioridade continua a ser a própria observação — muitos nadadores arrependem-se de ter passado mais tempo a filmar do que a observar.

É adequado para todos?

A atividade exige um nível de natação razoável: é preciso sentir-se à vontade em águas profundas, sem pé, por vezes com alguma corrente. As crianças a partir dos 8-10 anos que nadem bem podem geralmente participar, mas cada operador tem as suas próprias regras de idade mínima — informe-se ao reservar. Para crianças mais novas ou nadadores menos à vontade, alguns barcos oferecem a opção de ficar a bordo a observar os golfinhos a saltar sem entrar na água, o que continua a ser uma bela experiência por si só.

Mulheres grávidas e pessoas com problemas cardíacos ou respiratórios devem consultar um médico antes de reservar, devido ao ritmo por vezes intenso da entrada na água e ao possível marulho fora da lagoa.

As garantias de ver golfinhos

Os golfinhos são animais selvagens. A sua presença na baía não está garantida a 100%, ainda que seja muito regular (estimada em 90-95% dos dias úteis). Se não vir golfinhos nessa manhã, praticamente todos os operadores sérios oferecem um reembolso parcial ou uma saída de substituição.

O tempo também pode influenciar a saída. Com ondulação ou vento forte, algumas saídas são canceladas por razões de segurança. Consulte o nosso guia do clima para saber qual é a época mais favorável.

Combinada com uma saída para observar baleias (de julho a novembro), as experiências marinhas de Tamarin compõem um programa excecional para os amantes do mundo marinho.

O que realmente fica

Nadar com golfinhos selvagens é uma experiência que toca algo profundo. Não a excitação de uma atração de parque temático, mas algo mais calmo e mais duradouro. A consciência súbita de que o mar está habitado, de que inteligências não humanas vivem ali a sua vida a poucos metros de nós e de que, por alguns minutos, conseguimos partilhar o mundo delas sem condições.

É por isso que as Maurícias, com a sua baía de Tamarin, continuam únicas. Nenhum outro destino do oceano Índico oferece este encontro com tanta probabilidade e beleza. Quer venha em família (veja o nosso itinerário em família), em casal (o nosso itinerário lua de mel inclui esta experiência) ou sozinho, o encontro com os golfinhos de Tamarin é uma recordação que fica para sempre.

Façam-no. Mas façam-no bem.