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As Maurícias depois da Covid: o que mudou para os viajantes

As Maurícias depois da Covid: o que mudou para os viajantes

Atualizado em: outubro de 2021

Em resumo (situação em 2026)
Formalidades CovidNenhuma: não é exigido teste, vacinação nem declaração sanitária
Formalidades geraisPassaporte válido, formalidades de entrada normais a verificar antes de partir
Voos a partir de PortugalVários, com escala, principalmente via Paris, Lisboa ou Dubai
Nível de preçosMais elevado do que antes de 2020, estabilizado desde 2022-2023
Melhor altura para reservarFora de julho-agosto e dezembro-janeiro, para tarifas mais suaves

Um regresso muito esperado

A 1 de outubro de 2021, a ilha Maurícia reabriu as fronteiras aos viajantes vacinados após dezoito meses de fecho quase total. Para milhares de pessoas que tinham as Maurícias no coração e a viagem em mente desde o início da pandemia, foi uma notícia esperada há muito tempo.

Fiz parte dos primeiros viajantes a voltar a pisar esta terra em outubro de 2021. E quero contar-vos honestamente o que encontrei — o que mudou, o que sobreviveu bem, e o que merece atenção antes de reservar o bilhete.

Nota de atualização (2026): Este artigo foi escrito no momento da reabertura de 2021. Em 2026, todas as restrições sanitárias foram entretanto levantadas. As Maurícias recebem os viajantes sem qualquer condicionamento relacionado com a Covid. Este artigo continua interessante como testemunho de um período de viragem, e as observações sobre o que mudou de forma mais profunda nas Maurícias mantêm-se pertinentes.

O que tinha mudado na reabertura

As formalidades de entrada (contexto de 2021)

Na reabertura de outubro de 2021, as Maurícias exigiam aos viajantes:

  • Um esquema vacinal completo reconhecido (duas doses de Pfizer, Moderna, AstraZeneca ou Johnson)
  • Um teste PCR negativo com menos de 72 horas
  • Uma declaração de saúde online antes do embarque

Estas condições evoluíram depois rapidamente. Já em janeiro de 2022, as exigências foram aliviadas. Em meados de 2022, as Maurícias tinham suprimido praticamente todas as restrições sanitárias para os viajantes. Se está a preparar a sua viagem hoje, já não existe qualquer condicionamento ligado à Covid — verifique sempre as condições oficiais junto do Turismo mauriciano antes de partir.

Para as formalidades de entrada atualizadas e todos os conselhos práticos sobre a chegada ao aeroporto SSR, consulte o nosso guia de chegada ao aeroporto Sir Seewoosagur Ramgoolam.

O ambiente geral: entre alívio e reconstrução

O que senti ao chegar ao aeroporto SSR em outubro de 2021 foi um ambiente muito particular — como um país a recuperar o fôlego depois de uma longa apneia. Os agentes de imigração estavam mais descontraídos do que eu esperava. Os motoristas de táxi esperavam com os seus letreiros, a sorrir.

Para uma chegada sem stress, reservar antecipadamente um transfer privado aeroporto-hotel evita qualquer negociação à chegada. Os hotéis, felizes por voltar a receber clientes, tinham visivelmente investido na sua manutenção durante o encerramento.

Os mauricianos tinham sofrido economicamente. O setor turístico representa cerca de 25% do PIB da ilha. Dezoito meses sem turistas foram uma catástrofe para milhares de famílias que dependem direta ou indiretamente do turismo: hoteleiros, motoristas, artesãos, restauradores, guias, pescadores que vendem aos restaurantes.

A primeira impressão ao circular pelas ruas de Port Louis ou ao longo da orla marítima de Grand Baie: o comércio tinha reaberto, os cafés estavam animados, mas pairava no ar algo frágil e precioso — a consciência coletiva de uma ilha a recuperar o equilíbrio.

O que mudou nos hotéis

Os hotéis aproveitaram, em geral, o período de encerramento para se renovarem. Vários estabelecimentos refizeram os quartos, melhoraram os equipamentos, reviram as suas ofertas. Alguns ajustaram as políticas — mais flexibilidade nos cancelamentos, mais ofertas de meia-pensão ou apenas alojamento, face a um mercado que se tornou desconfiado do all inclusive.

Os preços, esses, surpreenderam. Esperavam-se promoções significativas para relançar o turismo — e houve-as, sobretudo nos primeiros meses da reabertura. Mas já no final de 2021 e início de 2022, as tarifas voltaram a subir, por vezes acima dos níveis pré-pandemia. A procura reprimida e o aumento dos custos de funcionamento pesaram nos preços. Esta tendência de subida estabilizou-se desde então, mas o nível geral de preços nas Maurícias mantém-se elevado — o nosso guia de orçamento das Maurícias apresenta os números atualizados para 2026.

Os resorts das zonas emblemáticas como Bel Ombre, Belle Mare e Le Morne foram dos primeiros a esgotar. A procura pelos destinos de luxo da ilha era forte logo na reabertura.

A restauração: perdas e nascimentos

A pandemia levou infelizmente alguns restaurantes, sobretudo as estruturas mais pequenas que não tinham fôlego financeiro para atravessar 18 meses sem receita. Alguns endereços de que eu gostava já não estavam lá no meu regresso.

Mas outros tinham surgido. Mauricianos que tinham perdido o emprego no setor turístico lançaram as suas próprias atividades — table d’hôtes, entregas de refeições locais, food trucks. Parte dessa criatividade nascida da necessidade sobreviveu e consolidou-se.

Em 2021-2022, a cena gastronómica de Tamarin e de Flic-en-Flac viu assim surgir várias novas casas que propõem uma cozinha mauriciana contemporânea de qualidade. Estes estabelecimentos fazem hoje parte dos endereços recomendados no nosso guia gastronómico das Maurícias.

O que não tinha mudado (e isso é reconfortante)

O calor humano dos mauricianos

Receava secretamente que a pandemia, a miséria económica que provocou, e o regresso brusco de turistas após 18 meses de vazio, criassem tensão, talvez algum ressentimento, em relação aos visitantes. Não foi o caso.

Os mauricianos que encontrei — nos hotéis, nos mercados, nos restaurantes locais, na estrada — estavam como sempre: calorosos, curiosos, orgulhosos de mostrar a sua ilha. Vários disseram-me explicitamente o quanto sentiam falta do regresso dos turistas, não só por razões económicas, mas também pelo contacto humano, pela diversidade dos encontros, pela sensação de voltar a estar ligados ao mundo.

Este calor humano é uma das constantes das Maurícias que nada muda. Encontra-se nas pequenas aldeias piscatórias como Mahébourg ou nos bairros comerciais de Port Louis, tanto nas guesthouses familiares como nas grandes propriedades de Bel Ombre.

A natureza, de volta com força

Um fenómeno inesperado da pandemia: a natureza tinha recuperado o seu espaço. As praias, sem as multidões turísticas durante 18 meses, tinham visto regressar espécies marinhas. Alguns pescadores locais disseram-me ter observado mais golfinhos e tartarugas marinhas do que antes da pandemia em certas zonas da lagoa.

As florestas, as reservas naturais, as zonas protegidas tinham beneficiado da ausência humana. A vegetação estava exuberante, as aves numerosas. Se a pandemia mostrou algo positivo, foi a rapidez com que os ecossistemas recuperam quando são deixados em paz.

Os recifes de coral de Blue Bay e das zonas protegidas do Le Morne mostravam sinais de regeneração notáveis. Mergulhadores locais descreveram-me zonas de coral que não viam tão densas e coloridas há anos.

A gastronomia local

A cozinha mauriciana, essa, não tinha mudado nada. Os dholl puris continuavam tão deliciosos, os caris tão picantes, o rum Phoenix tão refrescante como sempre. Os mercados tinham retomado a sua animação. As table d’hôtes tinham recuperado os seus clientes.

O mercado da manhã de Mahébourg, o mercado central de Port Louis, as barracas de beira de estrada nas aldeias do interior — tudo tinha reaberto com a mesma generosidade culinária. Para os viajantes que procuram a autenticidade mauriciana no prato, a reabertura não mudou nada de essencial.

As praias e as lagoas

As praias das Maurícias não tinham mudado. A areia de Belle Mare continuava tão branca, a lagoa de Trou aux Biches tão turquesa, os casuarinas de Mont Choisy davam a mesma sombra de sempre. A beleza das paisagens costeiras é uma das constantes absolutas desta ilha.

O que ainda merecia atenção

A cadeia de abastecimento

Em 2021-2022, as Maurícias, tal como o resto do mundo, foram afetadas por perturbações na cadeia de abastecimento global. Alguns produtos faltavam por vezes nos supermercados. As peças sobresselentes para os carros de aluguer demoravam mais tempo a chegar. Os prazos de entrega para tudo o que era importado tinham aumentado.

Para o viajante, isto traduziu-se em menus um pouco menos diversificados em alguns restaurantes, algumas lojas com prateleiras menos cheias. Nada de dramático, mas vale a pena mencionar para contextualizar.

O pessoal do turismo

Muitos profissionais do turismo — guias, animadores, pessoal de hotel — tinham tido de se reconverter durante a pandemia. Alguns não tinham regressado ao setor. Alguns hotéis tinham dificuldade em reconstituir equipas com a mesma qualidade de antes. A qualidade do serviço em alguns estabelecimentos ressentia-se ligeiramente.

Este fenómeno atenuou-se ao longo dos meses, à medida que o turismo retomava e os empregos se reconstituíam. Em 2022-2023, o setor tinha globalmente recuperado o nível de competência anterior à crise. Em 2026, as equipas dos grandes hotéis estão geralmente no mais alto nível de profissionalismo.

O balanço: valia a pena esperar?

Alguns viajantes optaram deliberadamente por esperar até ao final de 2022 ou 2023 para voltar às Maurícias, pensando que as condições estariam melhores depois de a poeira assentar. Foi essa a estratégia certa?

A minha opinião: nem completamente sim, nem completamente não. Os que partiram logo na reabertura de outubro de 2021 viveram algo bastante especial — uma ilha a acordar, por vezes um pouco hesitante, mas profundamente autêntica e grata. Os que esperaram por 2022-2023 encontraram uma ilha já rodada, com tarifas por vezes mais elevadas.

Ambos foram boas viagens. As Maurícias são um destino suficientemente sólido e belo para oferecer uma experiência enriquecedora em qualquer um dos contextos.

O que esta crise nos ensinou sobre as Maurícias

A pandemia pôs em evidência a fragilidade de uma economia tão dependente do turismo. Mostrou também a resistência e a capacidade de adaptação do povo mauriciano. O governo mauriciano lançou várias iniciativas para apoiar a população local, desenvolver a agricultura e diversificar a economia. Alguns desses projetos tiveram efeitos duradouros.

Para o viajante, é um lembrete de que a nossa presença na ilha tem um impacto real na vida das pessoas. Quando optamos por comer num restaurante local em vez do buffet do hotel, comprar as lembranças a um artesão em vez de numa loja de cadeia, alojar-nos numa casa familiar em vez de num resort — cada euro vai diretamente para a economia local.

Esta reflexão é ainda mais pertinente hoje, em 2026, num momento em que o turismo responsável se tornou uma preocupação central na estratégia turística da ilha. As Maurícias trabalham para obter certificações de sustentabilidade e incentivam os visitantes a adotar comportamentos respeitadores do ambiente e das comunidades locais.

As Maurícias em 2026: uma ilha que recuperou bem

Com o distanciamento de cinco anos, o balanço da reabertura de 2021 é positivo. As Maurícias não só recuperaram os níveis de afluência turística anteriores à pandemia, como também aproveitaram a oportunidade para modernizar a sua oferta e diversificar os seus atrativos.

As novas ligações aéreas a partir de várias cidades europeias, o surgimento de boutique-hotéis e eco-lodges em regiões menos turísticas como Chamarel e Souillac, e o desenvolvimento de um turismo cultural mais estruturado em Port Louis são outros tantos sinais de uma ilha que evoluiu positivamente desde a reabertura.

As Maurícias merecem ser visitadas com esta consciência. E mereceram, mais do que nunca, o nosso regresso.

Para planear a sua viagem, o nosso itinerário de 7 dias nas Maurícias integra todas as novidades e os melhores endereços da ilha num programa equilibrado. E se viaja em família, o nosso itinerário para famílias foi concebido para que todas as idades encontrem o seu prazer.

O que este regresso mudou na nossa forma de viajar

Voltar às Maurícias depois de uma longa ausência — seja para si, depois de dois anos de pandemia, ou simplesmente depois da sua primeira estadia — é muitas vezes descobrir algo diferente daquilo que se guardou na memória. A ilha mudou, mas nós também mudámos.

No meu regresso em 2022, senti algo que não tinha previsto: uma vontade forte de abrandar. Depois de meses sem viajar, a ilha Maurícia deixou de me parecer um cenário para consumir depressa e passou a ser um lugar para habitar temporariamente. Aluguei um apartamento em Tamarin por dez dias, comprei os legumes no mercado do bairro, aprendi o nome do padeiro. Olhei menos para os “imperdíveis” e ouvi mais aquilo que a ilha tinha vontade de me mostrar.

Esta forma de viajar — mais lenta, mais local, menos guiada por setas — é precisamente o que a pandemia reforçou em muitos viajantes. E as Maurícias prestam-se particularmente bem a isso.

Viajar de forma responsável nas Maurícias

O turismo responsável nas Maurícias não é apenas evitar plástico na praia. É também escolher prestadores locais em vez de multinacionais, comer nas barracas de bairro em vez das cadeias internacionais dos centros comerciais, alojar-se em casas geridas por famílias em vez de em resorts.

Concretamente: sempre que escolhe uma table d’hôtes em Mahébourg em vez do buffet do hotel, parte da sua despesa vai diretamente para a economia local. Sempre que aluga um carro nas Maurícias em vez de um veículo do resort, contribui para uma empresa local. Estas escolhas, multiplicadas pelos milhares de visitantes que chegam todos os meses, têm um impacto real.

As regiões que merecem mais atenção

Depois da pandemia, algumas partes da ilha aproveitaram a quebra de afluência para se reinventarem. A costa sul, entre Souillac e Bel Ombre, viu surgir alguns estabelecimentos boutique que propõem uma experiência diferente do turismo de massa. O nordeste, em torno de Roches Noires e Grand Gaube, continua pouco conhecido apesar de ter algumas das praias mais selvagens da ilha.

A própria Port Louis beneficiou de investimentos na valorização do seu património histórico. O bairro do Caudan Waterfront foi parcialmente remodelado, e desenvolveram-se circuitos de descoberta cultural guiada em torno dos edifícios coloniais e dos locais de culto do centro da cidade.

O que é preciso saber antes de partir em 2026

Em 2026, viajar para as Maurícias é simples e fluido. Sem formulários sanitários, sem testes, sem restrições. O país está totalmente aberto e acolhedor. As ligações aéreas a partir da Europa são numerosas e os preços, embora mais elevados do que os níveis pré-pandemia, mantêm-se acessíveis fora da época alta de julho-agosto e dezembro-janeiro.

Para planear um orçamento preciso, o nosso guia de orçamento das Maurícias detalha os custos atuais de alojamento, refeições, transporte e atividades consoante o perfil de viagem. Para escolher o alojamento, o nosso guia dos hotéis das Maurícias apresenta as melhores opções em cada região e categoria de preço.

As formalidades a verificar antes de partir em 2026

Mesmo que a vertente sanitária tenha desaparecido, uma viagem às Maurícias implica sempre verificar alguns pontos administrativos clássicos: validade do passaporte (geralmente seis meses para além da data de regresso), eventual cartão de embarque eletrónico a preencher online antes do voo, e seguro de viagem recomendado para cobrir despesas médicas e repatriamento. O nosso guia das formalidades para as Maurícias reúne todos os trâmites atualizados, e o nosso guia do seguro de viagem ajuda-o a comparar as opções consoante o seu perfil.

O que realmente mudou a nível prático desde 2021

Cinco anos depois da reabertura, há algumas evoluções concretas que merecem ser notadas por quem prepara hoje a sua viagem. A ligação à internet melhorou bastante, com ofertas eSIM práticas logo à chegada — o nosso guia de internet e eSIM nas Maurícias explica as opções.

O parque de veículos de aluguer também se modernizou depois das dificuldades de abastecimento de 2021-2022; o nosso guia de aluguer de carro continua a ser a referência para organizar as suas deslocações. Por fim, a oferta de alojamentos do tipo apartamentos e vivendas diversificou-se, impulsionada por uma procura de viajantes que procuram mais autonomia do que o formato hoteleiro clássico — veja o nosso guia dos apartamentos nas Maurícias.